sábado, 26 de março de 2011
Quem inventou o cachorro vegetariano?
Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 26 de março de 2011.
Cachorros e homens vivem juntos há pelo menos 12 mil anos, numa relação contínua que se revelou benéfica para as duas espécies. Sem a proteção do homem, dificilmente o cão teria chegado aos dias atuais. Não era um predador de sucesso. Mas revelou-se brilhante no poder de transmitir conforto e confiança aos seres humanos – e de acompanhar as mudanças de seus hábitos e valores. O bicho ganhou um papel afetivo que antes era desempenhado por parentes e vizinhos. Agora, o poder de adaptação dos cachorros está novamente em teste. Pessoas que não querem comer carne – por implicar a morte de um outro ser vivo – estão impondo a seus cães domésticos dietas vegetarianas ou veganas, ainda mais radicais. Os veganos não comem nenhuma espécie de proteína de origem animal, como leite. Aplicar esses valores aos animais de estimação representa, para muitos, uma manifestação de respeito. Mas obrigar cães e gatos a viver de vegetais e passar o dia sozinhos dentro de apartamentos representa uma prova de carinho?
A treinadora de animais Ana Aleirbag, de 22 anos, não come um único pedaço de carne desde 2007. Nem ela nem seus seis cães. Ana estendeu aos bichos de estimação a dieta vegetariana que adotou para si mesma, na mesma época. “Era incoerente eu não comer carne e dar uma ração com restos de cadáveres para minha melhor amiga”, diz, referindo-se a Fly, uma cadela da raça border collie de 5 anos. “Consultei o veterinário, planejei a transição alimentar e nenhum deles estranhou a mudança.” Eles obviamente não teriam meios de se queixar, mas é provável que adoecessem se a troca de dieta fosse muito nociva. Ana serve uma porção de ração vegetariana misturada a frutas. Em horário alternado, dá leite de vaca, iogurtes e queijo branco – fontes de cálcio e proteína animal.
O desenvolvedor de software curitibano Anderson dos Santos, de 27 anos, foi além. Impôs a sua vira-lata Cindy uma alimentação vegana – ou seja, inteiramente à base de vegetais, sem nenhuma proteína de origem animal. “Não tinha cabimento causar sofrimento a um bicho para alimentar outro”, diz Santos. Isso foi há cinco anos. Hoje tem outros dois cães veganos. Para propagar a filosofia, traduziu para o português o livro Cães veganos: nutrição com compaixão, do veterinário e pesquisador James O’Heare. “Hoje, eu mesmo fabrico a ração caseira com suplementos de cálcio, vitamina B12 e zinco”, afirma Santos. O mais famoso cão vegano do mundo foi a cadela Bramble. Quando morreu, em 2003, ela somava 27 anos e 11 meses de vida – o terceiro cão mais longevo registrado pelo Guinness book. Alimentava-se de uma pasta com arroz integral, lentilhas e vegetais orgânicos. Sua dona, a inglesa Anne Heritage, de 52 anos, é vegana radi-cal. “Ela viveu feliz”, disse na ocasião da morte.
Mas, esperem um pouco – não há algo de estranho nessa aparente normalidade? Cães pertencem, por definição, à ordem dos carnívoros – junto com os felinos. O poodle cheiroso que dorme no sofá da sala é geneticamente da mesma espécie do lobo selvagem, que se alimenta de carne. Aquilo que se chama erroneamente de Canis lupus familiaris, o cão doméstico, é uma invenção humana sem correspondência exata na natureza. Cientificamente, só há o Canis lupus, que se apresenta em vários formatos. Todos eles são carnívoros. Transformá-los em onívoros como nós, criaturas que comem de tudo, foi o primeiro passo da humanização alimentar desses animais. Torná-los vegetarianos, e, agora, veganos, apenas aprofunda o fenômeno conhecido como antropomorfização – a compulsão de imputar atitudes e sentimentos humanos ao que nos cerca no mundo natural. No passado, fizemos isso criando deuses com características humanas. Agora, humanizamos os cachorros.
Vejam que legal!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Acabe com a dúvida e entre já na academia
Na hora da virada, você pensou: este ano, eu faço exercícios físicos . Mas o tempo
está passando e, até agora, nada matrícula. Continuando assim, a promessa vai caducar de novo e o seu corpo é que sofre com os efeitos da preguiça, uma pena. "Normalmente, as pessoas buscam a academia por causa de uma necessidade física (emagrecer ou ganhar músculos, por exemplo)", afirma a professora Milena Emídio, coordenadora da academia Triathon.
Mas, em alguns casos, a comodidade é tanta que são necessários outros atrativos para convencer você a treinar. Não é que as razões estéticas percam importância, mas só elas não bastam. O desafio é, justamente, conseguir ir além do óbvio.
Felizmente, na maioria das grandes redes de academia, é possível encontrar muitos motivos para ter vontade de se exercitar, ao menos, três por semana. A seguir, a professora da Triathon apresenta algumas delas para você.
No pique do calendário: as academias estão sempre de olho nas festas mais importantes. Perto do carnaval, por exemplo, há aulas especiais que ensinam a sambar e queimam muitas calorias. Na Páscoa, surgem opções com alta queima calórica, para você comer chocolate sem culpa ou medo de engordar.
Bom humor: os exercícios físicos ajudam na liberação dos hormônios de bem-estar. Mas não é só por isso que o seu humor melhora: o próprio astral do ambiente, descontraído, ajuda a quebrar o estresse diário e você fica com mais disposição.
Auto-estima: ela é uma das primeiras beneficiadas pelo treino. Antes que os resultados comecem a aparecer, você já sente mais confiança em si mesmo e também comemora a força de vontade por ter começado a fazer ginástica.
Comunicação mais clara: para muita gente, o universo dos exercícios e equipamento é desconhecido. Mas, mesmo sem ter repertório, você precisa explicar ao professor o que deseja e como vem sentindo o efeito dos treinos. O esforço diário acaba favorecendo a sua capacidade de comunicação.
Menos timidez: na academia, a vergonha de pedir ajuda tem que ficar trancada no armário. Você precisa ter certeza de que está realizando os exercícios na postura correta (o que evita lesões e acelera os resultados). Havendo qualquer dúvida, é preciso deixar a timidez de lado e consultar um instrutor. Com o tempo, você vai perceber que nem é tão difícil se aproximar das pessoas.
Cabeça descansada: enquanto cumpre o programa, cansando o corpo, você poupa sua cabeça das preocupações com a casa e o trabalho. Para muita gente, o treino na academia é o único momento do dia para pensar em si próprio.
Vencendo o cigarro
Há alguns anos, foi realizado um estudo para avaliar a capacidade viciante das drogas mais comuns. Ao analisar os questionários a partir de padrões internacionais de Saúde Mental, os pesquisadores descobriram que 15% dos usuários regulares de cocaína poderiam ser considerados viciados na droga.
Utilizando os mesmos critérios, 90% dos adultos e 87% dos jovens que fumam pelo menos uma vez ao dia também preencheram a classificação de Vício. A conclusão da pesquisa? A nicotina vicia tanto quanto a cocaína. Ou até mais.
Metade dos adultos que tentam de verdade, consegue abandonar o cigarro. E o segredo deste sucesso, que não é nada do outro mundo, pode ser resumido em 3 passos simples:
FAÇA SUA LISTA E PARE DE VEZ.
É por causa da sua saúde? Quer reassumir o controle sobre sua vida? Ser
um exemplo para seus conhecidos?
Faça uma lista dos seus motivos
e cole-a na porta da geladeira, consultando-a várias vezes ao dia. No dia seguinte, pare de fumar.
Mais de 90% de todos os ex-tabagistas pararam por conta própria, sem acupuntura, antidepressivos, adesivos ou chicletes de nicotina. Simplesmente decidiram. E pararam.
Não se engane com a conversa de que você começou a reduzir o número de cigarros, está parando pouco a pouco e que isto demonstra seu controle sobre o vício. Na verdade, isto demonstra, sim, o total controle do Vício sobre você, e provavelmente logo estará fumando a mesma quantidade de antes. Pare de uma vez só.
AGUENTE FIRME OS PRIMEIROS 10 DIAS.
Ao abandonar o cigarro, você poderá sentir irritabilidade, ansiedade, insônia, tremores, fadiga, dores de cabeça, tosse, sensação de garganta seca, constipação intestinal, azia, gastrite e coriza. Estas manifestações fazem parte dos sintomas de Abstinência causados pelo corte no fornecimento de nicotina.
As primeiras 72h são as mais críticas: algumas pessoas chegam a experimentar uma crise de abstinência a cada 2-4 horas. Apesar de incômodas, as crises duram apenas de 3 a 5 minutos mais ou menos o tempo que você levaria para fumar um cigarro.
Cerca de 4 dias após o último cigarro, mais de 90% de toda a nicotina acumulada em seu corpo terá sido eliminada, e os sintomas da abstinência diminuirão bastante. Por volta do décimo dia, as crises de abstinência se tornarão quase imperceptíveis.
Para lidar com a Abstinência, você deve manter uma alimentação regular, consumir bastante suco natural de frutas e procurar atividades que lhe distraiam, como jardinagem, ouvir uma música calma, arrumar seus CDs ou o guarda-roupa, sair para uma caminhada, tomar um chá de camomila, etc. Lembre-se sempre que, apensar de desconfortáveis, os sintomas da Abstinência são temporários, mas as lesões causadas pelo cigarro serão para sempre.
MANTENHA A MEMÓRIA ACESA
Aproximadamente 90 dias após parar de fumar, sua capacidade pulmonar terá aumentado 30%! Atletas trabalham a vida inteira para conseguir resultados que são uma mínima fração disso. Após 10 anos sem cigarro, o risco de você morrer por câncer nos pulmões é praticamente o mesmo da população em geral. Mas manter-se livre do cigarro é um
compromisso de honra para toda a vida.
A memória é traiçoeira e você pode terminar esquecendo o que lhe levou a parar de fumar. Não deixe que isto aconteça. Consulte diariamente sua lista de motivos. Escreva uma nova quando a antiga estiver desbotando. Evite consumir qualquer forma de bebida alcoólica, pelo menos durante os primeiros 3-6 meses: a bebida irá reduzir sua capacidade de auto-crítica, aumentando risco de um deslize.
Muitas rotinas inocentes podem desencadear aquela vontade irresistível de fumar. Falar ao telefone, dirigir, tomar café, discutir, trocar um pneu furado.... os sintomas de abstinência podem se insinuar onde você menos espera. Resista sempre e concentre-se em avançar 60 minutos por hora, 24 horas por dia, um dia de cada vez. Bilhões de pessoas já passaram por isso e venceram. Você também consegue.
Quem pára de fumar inspira os amigos e a família a fazerem o mesmo
O convívio com ex-fumantes aumenta em 67% suas chances de largar o cigarro
Quem sonha em parar de fumar agora sabe que pode contar com uma ajudinha extra: a influência das pessoas mais próximas. Uma pesquisa americana acaba de comprovar que, quando uma pessoa decide interromper as tragadas, acaba levando outras a fazer o mesmo as chances de que isso aconteça chegam a 67%, de acordo com a pesquisa publicada no periódico New England Journal of Medicine.
Por 32 anos, os cientistas acompanharam mais de 12 mil pessoas e constataram que o abandono do vício em grupos é prática recorrente. Entre casais, a estratégia alcança sucesso máximo: os tais 67%, seguidos por 43% de redução entre amigos; 34% no caso de colegas de trabalho e 25% quando o tabagismo afeta irmãos.
Na prática, o fim do vício em uma pessoa próxima acaba servindo de inspiração, por isso quanto maior o vínculo afetivo e a convivência, maiores as chances de esta decisão se contagiar.
As dependências causadas pelo cigarro:
Física
A nicotina é a responsável pela dependência física do tabagista. Ela é uma substância psicoativa, ou seja, afeta o físico e o psíquico além de alterar o comportamento. A dependência física significa a perda de controle sobre o uso de determinada droga. Quem fuma cigarros não consegue exercer o autocontrole, ainda que esteja totalmente consciente dos sérios riscos à saúde diz a psicóloga Silvia Maria Cury. Essa dependência varia de um fumante para outro.
Psicológica
O cigarro é usado pelos tabagistas para controlar suas emoções. O fumante usa o vício para controlar seu estado emocional, lançando mão do cigarro quando está deprimido, zangado ou estressado , afirma Silvia. Com o tempo, a pessoa não sabe mais lidar com o estresse sem dar umas tragadas . Além de funcionar como um mecanismo de adaptação às frustrações, sentimentos de solidão e pressões sociais, o cigarro também pode ser usado como forma de auto-estimulação e gratificação, segundo a especialista.
Fonte: minhavida.com.br
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Os incríveis mitos sobre a saúde
Mesmo com o aumento do acesso à informação e as inúmeras pesquisas sobre o corpo humano, a sociedade continua acreditando que alguns “fatos” comprovadamente fictícios são verdades absolutas. É o caso de que raspar os pelos faz com que eles cresçam mais grossos e mais rapidamente (seria a cura da calvície?!); de que estalar os dedos com frequência causa artrite; e que usar desodorante antitranspirante aumenta o risco de câncer de mama. Tudo balela.
Um dos mitos mais antigos talvez seja o de que comer manga com leite mata. O gastroenterologista José Figueiredo Penteado explica que essa história surgiu no Brasil Colonial, criada pelos senhores para tentar impedir que seus escravos bebes sem o leite produzido nas fazendas. Comer manga com leite não faz mal algum! No livro “Não engula o chiclete!”, descobrimos que homem com pé grande não terá necessariamente pênis grande, que as pessoas não usam só 10% da capacidade do cérebro e muitas outras mentiras descaradas.
Nos mamíferos, o gene Hox influencia o desenvolvimento dos dedos dos pés e das mãos e também do pênis ou do clitóris. Uma pesquisa com 60 homens no Canadá apontou uma correlação fraca, mas estatisticamente significativa, entre o comprimento peniano e a altura do corpo e o tamanho dos pés. Entretanto, uma pesquisa com um grupo ligeiramente maior, com 104 voluntários, conduzida pelos urologistas Shah e Christopher, constatou que o número dos sapatos e o tamanho do pênis não se correlacionavam.
Está na hora de “cair na realidade”. Há mais de cem anos as pessoas acreditam que só usamos 10% do nosso cérebro. Infelizmente, isso quer dizer apenas que há mais de cem anos as pessoas estão enganadas. O mito do cérebro ocioso foi minuciosamente desfeito por um especialista em neurociência, Barry Beyerstein. Muitas pesquisas com pacientes portadores de lesões cerebrais sugerem que danos causados em praticamente qualquer área do cérebro têm efeitos específicos e duradouros sobre as capacidades do ser humano. Assim, por mais deprimente que possa parecer, você provavelmente já usa tudo o que tem.
A verdade é que seus cabelos brancos se multiplicarão com o passar do tempo, mas arrancá-los não tem nada a ver com isso. Cada cabelo nasce de um único folículo. Arrancar um fio de cabelo não fará que dois nasçam desse mesmo folículo. Durante o tempo em que o fio branco original está crescendo de novo, é normal que os outros cabelos ao lado continuem embranquecendo por conta própria. Arrancá-los não tem nada a ver com seu aumento, é o tempo que faz isso.
Nunca houve um caso de um sonâmbulo que tenha morrido em decorrência de ter sido acordado durante um “passeio”. Acordar o sonâmbulo pode deixá-lo confuso ou assustado e, em seu estado de confusão, ele pode se tornar violento e tentar atacar você. Há registros de raros casos de sonâmbulos que cometeram assassinatos durante o sonambulismo. Se você puder reconduzir a pessoa de volta à cama, essa parece ser a melhor estratégia. Mas isso não quer dizer que se você de fato acordá-la, ela estará correndo um risco maior de ter um ataque do coração ou um AVC (derrame).
Um dos mitos mais populares é que o uso de desodorante antitranspirante pode causar câncer de mama. A ideia por trás disso é que esses produtos impedem o corpo de eliminar as toxinas por meio do suor. Elas então ficam retidas nos nodos linfáticos, onde podem causar câncer ao induzir mutações no DNA das células. Não existem estudos científicos publicados que corroborem essa ideia.
A goma de mascar é feita de goma, adoçantes, aromatizantes e agentes de sabor. A goma em si é basicamente impossível de ser digerida. É uma mistura de elastômeros, resinas, gorduras, emulsificantes e ceras. O açúcar e outros adoçantes do chiclete podem ser absorvidos, mas as ceras, resinas e elastômeros resistem ao poder dos sucos gástricos que tentam rompê-los. Entretanto, o trato digestivo simplesmente continua empurrando essas coisas adiante, intestino afora, até que elas saiam pela outra extremidade. Em geral, o chiclete acaba no vaso sanitário um ou dois dias depois de ter sido engolido.
Não existem provas científicas de que você precisa beber nem perto de oito copos todos os dias. O doutor Heinz Valtin estudou bancos de dados eletrônicos, além de consultar nutricionistas e colegas especialistas em equilíbrio de água no sangue. Em toda essa pesquisa, não foi possível encontrar indícios científicos de que seja necessário beber oito copos de água por dia. Na verdade, os estudos apontam que já consumimos líquido em quantidade suficiente com o que comemos e bebemos todos os dias.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Falta de informação compromete a saúde e a sexualidade do homem
Acabar com o preconceito é obrigação de cada um
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Música também é remédio
Passou por uma cirurgia? Então ligue o som para garantir uma rápida recuperação. Segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Javariana da Colômbia, pacientes que escutam melodias relaxantes após os procedimentos cirúrgicos reclamam menos de dor e se sentem muito mais confiantes e animados. "Dá até para reduzir as doses de drogas pesadas, como as derivadas de morfina", afirma a médica Maria Soledad Cepeda, autora da pesquisa. Ainda não se sabe ao certo de que maneira a música atua no organismo, mas há indícios de que o efeito esteja ligado ao estado de relaxamento que ela proporciona. "Quando o corpo está tranqüilo, o sistema nervoso central produz substâncias que inibem a sensação dolorosa", completa a pesquisadora.
Compare os brócolis com a couve-flor
Campeão Brócolis: Protetor dos olhos
1 Pigmentos nutritivos
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Os falsos amigos da sua dieta
Todo mundo tem um conselho pronto para quem quer emagrecer: coma muita fruta, prefira produtos diet, exercite-se ao máximo, deixe de almoçar ou jantar. Mas, como se diz por aí, o inferno está cheio de boas intenções. Cuidado. Certos erros alimentares podem sabotar sua luta para perder peso e manter-se saudável. Conheça alguns desses falsos aliados de seu corpo.
ALIMENTOS LIGHT E DIET
Como eles enganam você: nem todo produto light é menos calórico. "Esses alimentos apresentam pelo menos 25% de redução de um ingrediente em comparação ao produto original, como carboidratos, gorduras, proteínas ou sódio. Porém, isso não implica uma redução de calorias. Se a diminuição for de sódio, por exemplo, o valor calórico continua intacto", explica Anete Hannud Abdo, endocrinologista do Projeto de Atendimento ao Obeso (Prato), do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Produtos diet também podem ser bem calóricos. Indicados para quem segue dietas restritivas (como diabéticos, hipertensos ou alérgicos à lactose), neles foi eliminado pelo menos um componente da fórmula original. "O chocolate diet, apesar de sem açúcar, pode ter mais gordura e, portanto, mais calorias do que o chocolate normal", observa a médica.
Como você não se deixa enganar: leia atentamente o rótulo do produto para saber qual é o nutriente que saiu da fórmula e se ele é realmente menos calórico. E não se esqueça de que, sozinhos, esses produtos não emagrecem. "Você pode incluí-los na dieta, mas não torná-los base do cardápio. Só uma alimentação equilibrada proporciona perda de peso", diz a nutricionista Vanessa Schmidt, de São Paulo.
Na hora da compra, a especialista recomenda que se dê preferência aos produtos normais e se opte pela versão light apenas dos alimentos mais calóricos, como maionese. "Produtos light ou diet também podem ter adoçantes artificiais, como ciclamato, sacarina e aspartame, que, ingeridos em excesso, são perigosos para a saúde, pois prejudicam a absorção de nutrientes como ferro e potássio", alerta a nutricionista.
FRUTAS
Como elas enganam você: incluir muitas frutas na dieta ajuda você a não engordar, certo? Errado. A frutose, o açúcar das frutas, encontrado também em refrescos, geléias, chocolates em barra e em pó (o cacau contém frutose), é um carboidrato que pesa na balança.
Uma pesquisa recente da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, e do Instituto Alemão de Nutrição mostrou que esse carboidrato simples, apesar de rapidamente metabolizado pelo organismo, pode favorecer o acúmulo de gordura. No experimento, três grupos de cobaias tomaram água, água com frutose e refrescos com frutose. Não deu outra: os bichos que ingeriram líquidos com o açúcar ganharam mais gordura do que aqueles que saciaram a sede só com água.
Outra boa razão para evitar o exagero: "A frutose também dificulta o controle do diabetes e aumenta o nível de triglicérides", avisa a endocrinologista Anete Hannud Abdo.
Como você não se deixa enganar: "O ideal é limitar o consumo diário de frutas a três ou quatro por dia, no máximo. E ainda assim dar preferência às variedades menos doces", ensina Vanessa (veja a tabela dos valores calóricos das frutas nesta página).
Como isso engana você: deixar de lado uma refeição (almoço ou jantar, por exemplo) parece um jeito fácil de comer menos. Mas, na verdade, a matemática da boa forma funciona ao contrário: menos refeições geram mais peso na balança. "Se você fica muito tempo sem comer, seu organismo tem medo de passar fome e, para se prevenir, começa a estocar gordura", explica a nutricionista Vanessa Schmidt.
Quem salta refeições durante o dia também costuma ficar com um apetite incontrolável ao passar das horas, e o resultado é o "prato de pedreiro". "Na próxima refeição, acaba-se comendo mais", diz Anete.
Como você não se deixa enganar: faça várias refeições pequenas ao longo do dia: café-da-manhã, lanche matinal, almoço, lanche da tarde, jantar e uma ceia leve. E não tenha pressa à mesa: quando você come muito rápido, nem se dá conta do que está mandando para dentro e tende a exagerar. "O cérebro não tem tempo de processar a mensagem de que o número necessário de calorias para matar a fome já foi atingido", esclarece a médica.
Como ele engana você: estudos recentes defendem que a ação estimulante da cafeína acelera o metabolismo e contribui para a queima de calorias. Isso é fato: "O consumo habitual de seis xícaras de café pode aumentar o gasto energético em aproximadamente 100 calorias por dia", explica a endocrinologista. A substância também produz no corpo um efeito térmico, aumentando o consumo de energia para metabolizar os alimentos.
Até aí, tudo bem. O problema é que diversos outros estudos demonstraram que os resultados dessa tática são pouco evidentes em pessoas obesas. Além disso, tudo indica que a cafeína aumenta o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e osteoporose. "Embora sejam necessários maiores estudos para confirmar essa relação, isso limita a indicação indiscriminada do café para a perda de peso", afirma Anete.
Como você não se deixa enganar: não adianta recorrer ao cafezinho várias vezes por dia para diminuir sua ânsia por guloseimas. "Além de não eliminar a vontade de comer doces e massas, tomar muito café provoca ansiedade", diz Vanessa. Sabe qual o efeito dominó? Quanto mais ansioso você está, mais sente vontade de comer e mais engorda.
Como isso engana você: não compensa passar longas horas na academia (a não ser que seu interesse principal seja paquerar) achando que quanto mais malha, mais emagrece. "A perda de peso está relacionada a uma equação entre comida e exercício físico, ou seja, o consumo e o gasto de calorias", diz o personal trainer Christian Antoniazzi, de São Paulo, consultor da Men's Health. Traduzindo: não adianta se exercitar durante horas e mandar bala na comida depois. Se seu gasto de energia é muito grande, você sente mais fome e exagera no prato.
Como você não se deixa enganar: seu balanço calórico deve ser negativo, ou seja, você tem de gastar mais calorias (não apenas se exercitando, mas também nas atividades normais do dia-a-dia) do que ingere. Em vez de ficar duas horas na academia, exercite-se três ou quatro vezes por semana, durante 30 minutos a uma hora. Os exercícios de alta intensidade também não são seus melhores aliados para perder peso, porque podem queimar as calorias erradas. "Eles eliminam mais calorias provenientes da ingestão de carboidratos (75%) do que de gorduras (25%), enquanto os exercícios de baixa intensidade queimam mais calorias de gorduras (75%) do que de carboidratos (25%)", alerta a médica Anete Abdo.
Como elas enganam você: "Quer mais massa muscular? Coma bastante proteína. Seu objetivo é perder peso? Vá de proteína também". É nesse mantra que se baseiam dietas famosas, como a do Dr. Atkins. Entretanto, mesmo se você cortar os carboidratos (encontrados em massas, pães, frutas, arroz e batata) e priorizar as proteínas (da carne e dos laticínios, por exemplo), como sugerem essas dietas, arrisca-se a engordar. "Cada pessoa tem um nível de absorção de proteína. Quando ultrapassado esse limite, o que vem a mais é transformado em gordura", explica a nutricionista Vanessa Schmidt.
Além disso, o funcionamento do organismo pode ser prejudicado quando se diminui a ingestão de carboidratos, porque é deles que o corpo retira energia. Ainda não se convenceu? A nutricionista explica que, nas dietas que cortam carboidratos, o metabolismo pode entrar no estágio de cetose, situação bioquímica anormal em que o corpo, sem carboidratos para usar como fonte energética, utiliza os depósitos de gordura como combustível. Em conseqüência, substâncias tóxicas são liberadas para as células, podendo provocar enjôos, náuseas e dor de cabeça.
Como você não se deixa enganar: capriche na ingestão de proteínas apenas se você pratica esporte ou quer ganhar massa magra na musculação. "Quem treina precisa de suplementação alimentar, pois as proteínas ajudam a reestruturar os músculos que são exigidos durante o exercício", explica Vanessa. Preste atenção também no que você coloca no prato: as dietas que cortam carboidratos e liberam proteínas geralmente não estabelecem limites para o consumo de alimentos que têm alto teor de gordura ou colesterol - como picanha, bacon, ovos e queijos gordos -, que podem aumentar o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, entre outros prejuízos à saúde.
Como elas enganam você: refrigerantes e sucos com o mesmo 0% de caloria podem fazer você comer mais. Essa surpreendente descoberta saiu no International Journal of Obesity (EUA). Os pesquisadores partiram daquilo que já se sabia sobre o metabolismo: alimentos doces produzem sensação de saciedade porque o cérebro associa a ingestão de alto teor de açúcar com a absorção de elevadas quantidades de calorias. Bebidas light causam uma espécie de curto-circuito nesse processo de informação. Como são doces mas não têm calorias, confundem o organismo. Resultado: a sensação de saciedade dura pouco e a fome logo volta.
Como você não se deixa enganar: os refrigerantes com zero de açúcar podem ser grandes aliados da sua dieta se consumidos com moderação. Em algumas marcas, o sabor adocicado é obtido pela adição de substâncias artificiais, como aspartame e ciclamato de sódio. Esse último teve sua venda proibida nos anos 70, quando havia a suspeita de que poderia estar associado a alguns tipos de câncer. "Por falta de conclusões científicas, essa substância foi liberada recentemente em mais de 50 países, inclusive no Brasil", conta a nutricionista Tânia Rodrigues, de São Paulo. Mas, segundo ela, é melhor não vacilar e seguir ao pé da letra as recomendações de consumo que estão no rótulo do refrigerante. "Uma pessoa de 70 quilos não pode ingerir mais que 2 litros por dia desse tipo de refrigerante", diz Tânia.
Como eles enganam você: se você comia duas fatias de pão de fôrma branco e agora devora três porque optou pela versão integral, equivocou-se. É verdade que há inúmeros benefícios em preferir pães, massas e biscoitos integrais. Ricos em fibras, eles melhoram a função intestinal, ajudam a diminuir as taxas de açúcar no sangue e a controlar o colesterol. Entretanto, eles podem ser altamente calóricos.
Como você não se deixa enganar: "Não aumente o consumo de determinado alimento só porque ele é integral", adverte a nutricionista Vanessa Schmidt. Mas não depreze os pães e massas feitos de farinha integral, pois as fibras atrapalham a digestão dos carboidratos e fazem o açúcar cair mais lentamente na circulação, aumentando a sensação de saciedade. Com os alimentos refinados, é o contrário: ocorrem picos de açúcar no sangue, deixando você faminto pouco tempo depois de comer. "Quando você come um prato de massa refinada, por exemplo, depois de meia hora já sente fome", explica Vanessa.
• Morango
12 calorias por unidade (uma xícara cheia: 45 calorias)
• Ameixa preta
16 calorias por unidade
• Ameixa vermelha
25 calorias por unidade
• Jabuticaba
28 calorias (meio copo)
• Manga
39 calorias (uma fatia média)
• Maracujá
45 calorias por unidade
• Abacaxi
50 calorias (uma fatia fina)
• Laranja
50 calorias por unidade
• Kiwi
50 calorias por unidade
• Pêssego
50 calorias por unidade
• Mamão formosa
50 calorias (uma fatia fina)
• Melão
50 calorias (uma fatia grande)
• Melancia
50 calorias (uma fatia grande)
• Mamão papaia
55 calorias (meia unidade)
• Abacate
60 calorias (um prato raso)
• Banana-maçã
70 calorias por unidade
• Banana-ouro
79 calorias por unidade
• Pêra
80,6 calorias por unidade
• Banana-prata
89 calorias por unidade
• Caqui
95 calorias por unidade
• Banana-nanica (ou d´água)
95 calorias por unidade
• Maçã
97,5 calorias por unidade
• Uva rubi
83 calorias (cacho pequeno)







